segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sabado a noite

Sábado a noite. A ultima condução que poderia fazê-la agradar sua mãe havia deixado-a na mão. Uma discussão ao telefone. A tal moça definitivamente não era mais o que sua mãe esperava. Ela não se esmerava em serviços domésticos, deixou sua paixão por estudos ser tomada pela leviandade de uma vida sem eira nem beira. O único e o melhor fato, a moça deixara de viver pelos outros, e passara a viver por si e para si. Obedecia apenas seus impulsos.
Por um momento no sábado a noite, a menina deixou-se levar pelo exagero alcoólico, o que não influenciaria em seu comportamento, sorriso, alegria e bagunça. O exagero tornara sua face, sua doce face em algo rosado, mais meigo que o de costume e definitivamente ela não tinha mais motivos para sorrir. Já era domingo de madrugada. A decisão foi recolher-se a um canto no meio de todos, que seria apenas dela.
Subitamente um sorriso familiar, que aparentava fazer parte da vida da moça há muito tempo, aproximou-se dela. O sorriso era conhecido porem não havia sido descoberto.
Era um rapaz que resolveu sentar-se ao lado da moça de cabelos intensamente vermelhos, face rosada, destilando os últimos resíduos de álcool que restavam em seu organismo e ali conversaram.
Ele tinha nome de anjo, voz agradável e conhecia história, que deveras era uma das fascinações daquela moça.
O rapaz com nome de anjo trouxe àquela moça uma paz antiga, guardada como um tesouro escondido, cujo doce sabor havia caído no esquecimento da moça que agora faz questão de lembrar momento a momento, palavra a palavra, sorriso a sorriso. Tudo o que outrora lhe fizera falta, havia encontrado em pouco mais de uma noite.
Algumas horas depois, o desejo de ambos os jovens era que se encontrassem tão logo, a ponto de deitarem-se em suas camas e pensarem um no outro e ansiarem por estarem lado a lado mais uma vez.
Eis o dia que ambos tanto desejaram. Lá estavam os dois, jovens. Maduros e seguros de sua doce infantilidade. Seguiram pra um lugar que lhes trouxera paz, mais paz do que um trazia ao outro, além de paz, ambos confiavam um no outro, mesmo sem testes de confiança ¹.
Fato único era, ambos sabiam que se sentiam bem. Desejavam por mais alguns momentos não queriam privar-se de suas companhias principalmente de seus doces beijos.
O doce jovem e a moça de face rosada assumiram, um foi a salvação para o outro do sábado a noite.


Tatiana Aloha Orthega, 28 de abril de 2008, 01:32

Conto escrito após passar uma noite, indevidamente na rua, tomando boas doses alcoólicas e conhecer alguém nada mais nada menos que especial.





¹ “Testes de confiança foi usada pelo jovem do conto” ao assumir a segurança que a moça passava para ele.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sensualidade dos impulsos.

...” don't leave me alone...”
Era esta a frase que martelava a mente da menina.
Não, definitivamente não era o que ela desejara, mas era o que a sorte, a roda da fortuna, ou miséria, má sorte lhes concedera.
“don't leave me alone...” era o desejo daquela menina.
Há exatamente uma semana ela vivera momentos mais loucos, errantes, tenebrosos, inebriantes de sua pequena vida.
Foram apenas dezenove anos, e nada em todo esse tempo comparava-se às loucuras cometidas por ela em apenas sete dias. Simplesmente a explicação para tudo aquilo era que esta menina vivia em prol de seus anseios e impulsos, nervosos ou não nervosos.
Ela era orgulhosa. Odiava mostrar-se passível a situações. Não pedia desculpas. Não abaixava a cabeça. Falava alto. Mas desta vez, ela admitiu a si própria. Estava perdida, louca. Livre. Leve. Dona de si. Corajosa, acima de tudo, mulher.
Ela só queria sentir-se viva, ver os anos passarem, cometer erros e não arrepender-se deles, viver por viver, viver para si e por si.
Havia exatamente uma semana. Uma das mais inebriantes, loucas, sensuais, deliciosas, daquelas de dar frio na barriga sabe...
Ela sabia, e dissera pra a pessoa que envolvera-se em tal loucura com ela. Essa historia viraria historia, sua grafia seria editada com prazer e zelo, afinal, você a tivera como ninguém mais.
A menina, outrora inocente, docemente amarga, feliz, embevecida, inebriada em sua flor da idade fizera o marmanjo provar e aprovar sensações novas, mas não desconhecidas, talvez esquecidas.
O marmanjo moreno de bom tom era alto e carinhoso. Tinha nos olhos uma ternura pela menina que lhes fizera provar sensações, e que sensações. Ele gostava do silencio que os rondava, pois tinha certeza que antecederia a mais um dos beijos que ele gostava, e como gostava. E por tais beijos cometera um de seus maiores e melhores erros.
O marmanjo moreno, de bom tom e bonito, tornara a menina sua cúmplice. Ela não era (em hipótese alguma) vitima. Ambos cederam aos impulsos.
O marmanjo moreno, de bom tom, bonito e docemente carinhoso desejara um domingo com ela, ele dissera por varias vezes: “- O domingo é nosso.” E deveras foi.
O domingo foi da menina. A menina que tornara-se mulher.
O domingo foi do marmanjo moreno, de bom tom, docemente carinhoso e sensual.
O domingo foi de erros, os mais certos de todos, os melhores já cometidos por ambos.
Hoje ela, a menina-mulher recorda-se de seu domingo, de seus erros certos, de seus impulsos, seus desejos e deseja apenas...
...” don't leave me alone...”


Tatiana Aloha Farias Orthega, 16 de abril de 2009, 00:00

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Retorno ao meu sepulcro

‘Tava observando. Tempo cronológico. Fiz revira voltas. Morro e desfaleço. O relógio da minha vida se derrete ate os últimos segundos que podem ser contados.
Eu me agarrem em mim mesma. Virei pro lado e não mais te tinha, não mais te via, sentia, era tão frio e gelado como relatos de um mês atrás.
Coração. Vida. Eu sou a ferida aberta.
Tenho novamente uma alma fria, gélida, mas te asseguro, não mais convidarei ninguém para conhecer meu santuário particular nem pegar, nem pegar em minha mão, nem aquecer o defunto, nem nem, nem nada.
É o fim da ultima fase. E não me venha dizer “- mas como você é jovem”. Lições como estas não colam mais, jovens como eu, sofrem como adultos como você, suas experiências não amenizam a minha dor, não me devolvem alegria, não te fazem ver meu sorriso, nem nem, nem nada.
Nem embriagando-me com wisky, inebriando-me com seus olhares, sorrisos, meias palavras, falsidades, mentiras, flores. Talvez flores, elas podem servir pra decoração do meu caixão.
Nada mais servirá. Não verão minhas composições, não verão meu sorriso, não gozaram de minha felicidade, não ouvirão minha voz. A vossa alegria resumir-se-á em minhas lágrimas puras e transparentes, ensangüentadas, doloridas, sofridas, desregradas.
Viverei apenas por força do destino, da vontade de quem quer que seja, ou por simples fraqueza, falta de coragem de arrancá-la de mim mesma.
Vendo meus livros, meus discos.
Me despeço de amigos.
Dôo o meu sorriso, a minha voz, os meus olhos. Talvez assim, quem os pegar, verá, saberá e sentira o que sinto vivo e sei, porque choro e porque morro, morro aos poucos.
Bem vindo novamente ao sepulcro a qual voltei a ser. Sepulcro este que jamais deveria ter deixado de ser. Caiado, sem direito a formol.


Tatiana Aloha Farias Orthega, 25 de março de 2009, 00:30.

Puta que pariu

P.s.: Este conto é dedicado a todo aquele que ta P. da vida.

Sabe quando você ‘tá na merda?
Sabe quando você já ‘ta “p” da vida e escreve aquela, esta mesmo, uma puta besteira?
Pois é assim que me sinto todas as vezes que escrevo. Nada (em forma de letra de minha autoria) vai levantar o tom e nem apontar o dedo na minha cara.
Então, sabe aquela puta vontade de xingar um palavrão, que de tão ‘palavrudo’ ele nem existe?
Aquele bom e velho “foda-se”.
E mandar todo mundo tomar...
... no copo de bichinhos?
Ou simplesmente o clássico: “vai cagar”.
Que tal o famoso “dedinho feio”...
Cacete! Bem pronunciado, em alto e bom tom.
Filha de puta.
Desgraçado.
Com todas as suas forças!
Porra.
Puta que merda!
Vai se danar.
É... ainda não adiantou?
Então foda-se, vamos beber.
“-Desce a branquinha ai amigo”.



Tatiana Aloha Farias Orthega, 12 de abril de 2009, 00:40