sexta-feira, 10 de abril de 2009

Retorno ao meu sepulcro

‘Tava observando. Tempo cronológico. Fiz revira voltas. Morro e desfaleço. O relógio da minha vida se derrete ate os últimos segundos que podem ser contados.
Eu me agarrem em mim mesma. Virei pro lado e não mais te tinha, não mais te via, sentia, era tão frio e gelado como relatos de um mês atrás.
Coração. Vida. Eu sou a ferida aberta.
Tenho novamente uma alma fria, gélida, mas te asseguro, não mais convidarei ninguém para conhecer meu santuário particular nem pegar, nem pegar em minha mão, nem aquecer o defunto, nem nem, nem nada.
É o fim da ultima fase. E não me venha dizer “- mas como você é jovem”. Lições como estas não colam mais, jovens como eu, sofrem como adultos como você, suas experiências não amenizam a minha dor, não me devolvem alegria, não te fazem ver meu sorriso, nem nem, nem nada.
Nem embriagando-me com wisky, inebriando-me com seus olhares, sorrisos, meias palavras, falsidades, mentiras, flores. Talvez flores, elas podem servir pra decoração do meu caixão.
Nada mais servirá. Não verão minhas composições, não verão meu sorriso, não gozaram de minha felicidade, não ouvirão minha voz. A vossa alegria resumir-se-á em minhas lágrimas puras e transparentes, ensangüentadas, doloridas, sofridas, desregradas.
Viverei apenas por força do destino, da vontade de quem quer que seja, ou por simples fraqueza, falta de coragem de arrancá-la de mim mesma.
Vendo meus livros, meus discos.
Me despeço de amigos.
Dôo o meu sorriso, a minha voz, os meus olhos. Talvez assim, quem os pegar, verá, saberá e sentira o que sinto vivo e sei, porque choro e porque morro, morro aos poucos.
Bem vindo novamente ao sepulcro a qual voltei a ser. Sepulcro este que jamais deveria ter deixado de ser. Caiado, sem direito a formol.


Tatiana Aloha Farias Orthega, 25 de março de 2009, 00:30.

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