Conto sem nome.
Outro dia caminhávamos por um campo com mato alto e molhado.De mãos dadas caminhávamos. Caminhávamos e sorriamos. Sim, eu também sorria.Borboletas nos cercavam, eram lindas. Brancas e lindas, lindas e amarelas. Você gosta de borboletas?Meu cadáver mantinha-se vivo somente pela troca de calor entre nossas mãos.De súbito percebi o mato alto já molhado, umedecer-se ainda mais. Ah, que felicidade! Descompassada. Efusiva. Você derrete meu gelo!Peço que coloques tuas mãos, doces e quentes em meu peito esquerdo. Com inocência utópica e sensualidade. Necessito. Tente ao menos. Talvez você derreta meu coração gelado. Gelado? Não. CONGELADO.A doce brisa da primavera da lugar ao frio, frio vento de inverno. Sim. Eu resisto ao rigor do inverno. Grito.Nada adianta, Tu não voltas atrás. Hoje mesmo te perco. Volto-me à realidade da qual jamais deveria ter saído... suas mãos deixaram a marca do breve derretimento. Sinto apenas seu doce perfume juvenil.Longa vida tens meu amor.Suas memórias são meus fantasmas. Sua existência, minha vida. Sua ausência minha morte.
Tatie Orthega, 04 de fevereiro de 2009 - 02:40 AM.

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