quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vida em macro



Outro dia estava eu em um bar.

Algum liquido descia. Rasgava e aquecia a voz gélida que muitos, há muito não ouvia.

Estava eu sentada em um boteco, a beira da estrada, que levava para algum lugar, eu estava a caminho deste lugar, que mal sei onde daria.

Sentia-me observada. Como se algo ou alguém estrondosamente maior que eu vigiava-me com uma lupa gigante. Nem ao menos no banheiro sujo daquele bar amarelo velho da beira de estrada, estava livre. Progressivamente aceitava que alguém resolvera ver minha vida em macro.

Anoitecia. Via que o escasso movimento tornava-se ainda menor. Eram poucas as coisas que tinham cor, meu cabelo vermelho, minha roupa preta, meu jeans manchado, o bar amarelado e meu coturno empoeirado.

Intensivamente tentava entender por que motivo alguém escolhera a mim, mais uma moça distinta, fugida de dentro de si mesma, com destino desconhecido, um violão nas costas, pecados não assumidos, alma doce e palavras ásperas.

‘Pera aí. Será que estão me vendo por dentro em macro também. Ah, isto pouco importa.

O crepúsculo descia, a poeira da estrada de chão abaixara e este alguém insistentemente atrevia-se a na permanência da exposição de minha pessoa. O crepúsculo descia sobre a minha alma.

Subitamente, percebi que aquele local a beira da estrada não era um bar, nem um boteco, que amarelo envelhecido era cor de coisa morta, que o crepúsculo descia no céu porque era escuro dentro de mim mesma e que nada nem ninguém me observava além de meus próprios críticos e maus olhos.

A lupa era a minha mente.

Fato era que estou caminhando para um destino desconhecido e que nada acontecia ao meu redor além de mais uma de minhas alucinações.

Tatiana Aloha Farias Orthega, 25 de fevereiro de 2009, 21:45 horas.

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