Fantasma e minhas notas frias
Marcas de suas mãos no vidro. Vidro humido. Ar condensado.Apenas o vulto. Vulto de suas mãos. Acenam-me: "tchau, não mais voltarei à sua vida".Será que outrora estivestes em mim? Eis a questão que minha alma me emite, em doces sons de mí em clave de sol. Mí na quarta oitava do piano. Agudo som. Estranho, mas tão agudo quanto a dor que deixas em meu ser.É. Sim, eu sei. Errei mais uma vez. Cara de perfeita. Atitudes errôneas. Brincadeiras com meu próprio coração. Onde será que quero chegar? É. Muito provável. O lugar que eu preciso, não existe. Seria esta mais uma de minhas alucinações? Ah, não, não pode ser.O vulto de suas mãos. O vulto de suas mãos não me saem das vistas. Pior. Estão gravados em minha mente. Agonia do seu fantasma.Meu ser te deseja. Te deseja ao meu lado, mesmo que à poucos minutos distante de mim. Sua alma ao longe se vai.Sabes que não fico bem sem você. Não fico bem sem você. Apenas te preciso.O tom do canto de minh'alma diminui seu tom, cai para sí, sí bemol. A tristeza, frieza, saudade, desarmonia, caem na clave de fá. Te sinto sombrio, gélido, desarmônico, sensual, morto, tudo, menos meu. Éras meu? Tons e notas. Cores frias. Imagens sombrias. Te sinto longe. Não te sinto mais. Vejo teu fantasma. Ouço seu suspiro. Doce suspiro em meus ouvidos. Sinto frio em meu ventre. Engano. Não apenas deixo de ver-te como sei que não existes mais.Tatiana Orthega, 04 de fevereiro de 2009, 00:38 horas.
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